Terça-Feira, 21 de Agosto de 2018
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Notícia
A grande diferença entre o antes e o pós-guerra é a possibilidade de realizarmos obra.
Abril 10, 2015
Entrevista a Luís Galiano, Cônsul Geral de Angola em Faro

A diferença entre um cenário de guerra ou de Paz e estabilidade tem um valor muito grande para os angolanos?

Sem dúvida. Essa diferença é como do dia para a noite. Nós vivemos um período de trevas negras, onde tudo era difícil de fazer no nosso país. E a partir do dia 4 de Abril de 2002, o dia em que se assinaram os acordos de Paz, o dia em que os irmãos desavindos se reencontraram, tudo passou a ser diferente. Foi possível relançarmos o nosso país, a nossa Economia, a nossa vida social. Foi possível reconstruir, não só fisicamente mas também espiritualmente, o nosso país. As famílias reencontraram-se, famílias que estavam divididas pela guerra e isso foi quem sabe um dos maiores ganhos que a Paz trouxe: a reconciliação genuína entre os angolanos. E ela foi conseguida por nós próprios. Entendemos que era hora de parar a guerra, nós os angolanos, de um lado e de outro, achámos que havia as condições objectivas para isso e fizémo-lo e tivemos o aplauso do mundo, o que foi bom para nós. Hoje estamos a reconstruir o nosso país, criando as infraestruturas básicas essenciais para que as nossas gerações vindouras tenham um futuro melhor.

Quando falamos em Paz, estabilidade e economia, por vezes facilitamos e começamos a achar que passados dez anos, treze anos, ainda há muito por fazer, ainda que não seja fácil construir um país. Mas admite que falta muita coisa em Angola?

Concerteza. E vai faltar sempre, sempre faltará mais porque as pessoas são assim mesmo. As populações, o ser humano quer sempre mais e isso é que faz a vida andar para a frente. O nosso Estado, porque tem orientação e uma liderança clarividente que é exercida pelo Presidente José Eduardo dos Santos, perspectiva e tem visão para o futuro. Nós fazemos as coisas hoje, tendo em conta o amanhã. E faremos provavelmente amanhã, tendo em conta o depois de amanhã. Seremos sempre cobrados pela nossa população e ainda bem que é assim, para fazermos sempre mais e melhor. Temos a preocupação de que tudo o que fazemos hoje não é o suficiente para amanhã. Temos de estar sempre com os olhos postos num futuro melhor, que foi o que levou à luta pela independência, criarmos as condições para que as nossas gerações vindouras não passem pelo que nós passámos.

E o que mudou, mesmo numa década que não é muito tempo? Para além do que se vê a olho nú?

Mudou sobretudo a possibilidade de realizarmos acções. Sem a Paz, com a Guerra que vivíamos não era possível movimentarmo-nos de um lado para o outro no nosso País, nem a reconstrução física do País, essa reconstrução está a ser feita. Com a Guerra, não era possível o reencontro das famílias, de que já falei. Hoje, esse reencontro está a ser feito. Ainda há problemas, sim, como eu disse nas Comemorações do dia 4 de Abril, haverá erros com certeza. Mas só existem erros onde há trabalho, porque se não houver trabalho ninguém pode apontar erros. Nós temos obra feita, ainda que esta ou aquela obra possa ter sido menos bem conseguida. São os erros que nós, Estado, temos assumido, a nossa liderança tem assumido e sempre que possível e necessário, corrigido. É isto que está a ser feito e a grande diferença entre o ontem e o hoje: a possibilidade de realizarmos obra, não só física mas também a de reconciliação nacional, do investimento no ser humano através da educação e da saúde, e a prova são os vários hospitais que têm sido construídos ao longo do país, e as várias universidades. Hoje temos 17 Universidades públicas, sem contar com as privadas, espalhadas por regiões no País. Há poucos países que podem dizer que em tão pouco tempo tenham conseguido fazer isso. Porquê? Porque é a aposta no Homem, na formação. «Ah, mas nenhuma delas está ainda no Top 100 das melhores de África» - dizem. E eu respondo: Ok. Mas temos que ter Universidades para chegarmos lá. E vamos chegar. É essa a nossa aposta. «Ah, os hospitais ainda têm dificuldades nos seus equipamentos». Sim. Mas os equipamentos estão lá e os homens estão a ser formados, nas mais diferentes escolas do Mundo, não só no País, para onde temos prioridade, mas também fora. Há muita, muita coisa por fazer, mas o nosso Governo e em particular o nosso líder, o Presidente José Eduardo dos Santos, que alguém teve a felicidade de apelidar de «Arquitecto da Paz» porque é – foi através da sua clarividente orientação e das suas orientações que se chegou à Paz e que se iniciou o processo de transformação do País. Ele está aí. É o nosso líder incontestável e é a quem devemos render tributo pelos valores de liderança que ele tem. Foram anos terríveis desde a altura da nossa independência até 2002, hoje estamos a beneficiar disso e é possível andar de ponta a ponta do País, por estrada, nos Aeroportos. Os Aeroportos foram feitos – não reconstruídos, na sua grande maioria – em todas as capitais provinciais e está a ser feito um grande Aeroporto em Luanda que ficará pronto em 2017 que será uma referência no continente Africano. Temos o caminho-de-ferro a circular em toda a extensão do nosso país, fazendo a ligação do Sul e do Centro e estão a ser feitos estudos para a interligação com o Norte. Nós hoje já chegamos por via ferroviária até à fronteira com a Zâmbia e com o Congo Democrático, o nosso trabalho de casa foi feito. Falta os irmãos da Zâmbia e do Congo fazerem a sua conexão com o nosso caminho de ferro de Benguela para que sobretudo a Zâmbia que é um país encravado que não tem acesso ao mar, possa beneficiar do porto do Lobito para poder receber e exportar as suas mercadorias. Isso tudo é resultado da Paz. Sem ela não era possível haver tudo isso.

E o ânimo das gerações mais novas, dos 20, 30 anos, como está? Porque é preciso persistência, alento e por vezes é mais fácil procurarem alternativas fora, com a globalização… Os jovens sentem-se parte importante dessa reconstrução?

Felizmente, sim. Globalmente vemos a juventude muito engajada. E até os que estudam foram com vontade de regressarem ao País e aplicarem o conhecimento que aprenderam no nosso País. Coisa que não acontecia anteriormente, com a Guerra. Durante o período da Guerra, forma muitos os jovens que se formaram cá fora e que por cá ficaram. Hoje, muitos desses já regressaram e estão a ocupar cargos importantes, a nível da sociedade e da gestão da Economia. Ao nível das Direcções de Bancos e grandes empresas, com muito valor e que regressaram há pouco tempo como resultado da Paz e da aposta no desenvolvimento do País e na confiança nas estruturas e na liderança do País. Porque se não houvesse confiança, com certeza que estariam «de pé atrás». Perguntariam: «Vamos lá fazer o quê?». O Estado criou hoje novas centralidades de habitação em todo o País, não só em Luanda, claro que aí é a capital, com cerca de 7 milhões de habitantes e a aposta aí será maior por ser de facto a capital do País. É possível ter emprego, alojamento condigno, o jovem que se casa pode hoje recorrer a uma casa do Estado, antes isso não era possível, e é só devido à Paz. Mas claro, há sempre quem não esteja satisfeito, quem queira mais e veja defeitos nisto e naquilo. E reconheço que existem, não temos como negar. Mas de uma forma geral, a juventude está aí, está engajada, agora mesmo proximamente teremos em Faro uma grande actividade com a juventude, jovens a estudar aqui em Portugal das mais variadas regiões, que virão aqui a Faro para terem uma jornada de confraternização onde nós seremos os anfitriões desses estudantes que estarão aqui connosco. E isso é uma prova do seu engajamento com o Estado e com o nosso País. Repito, só é possível porque estamos em Paz.

O evento que realizaram agora, da comemoração do 4 de Abril, foi feito pela primeira vez em Portimão. Porquê?

A nossa aposta, sempre que houver necessidade de uma actividade, é não fazer no mesmo sítio de cada vez. Vamos andar em todo o lado em que a nossa comunidade estiver, porque é também uma maneira de nos aproximarmos mais das nossas pessoas, das nossas gentes. E uma forma de dizer: «Nós estamos convosco! Estamos aqui! Se hoje estamos em festa, amanhã vamos encontrar-nos para dialogarmos sobre os nossos problemas, sobre o que nos aflige, sobre o que nós podemos fazer para nos ajudarmos uns aos outros». Onde houver um núcleo de angolanos, nós iremos. Está no nosso programa de actividades este ano todo e temos a felicidade de este ano ser o ano do 40º aniversário da nossa Independência. Vamos aproveitar esse embalo dos festejos dos nossos 40 anos para chegarmos onde estão os cidadãos angolanos.

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