Segunda-Feira, 21 de Maio de 2018
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Notícia
Sul-africanos querem investir na agricultura
Dezembro 05, 2017
A garantia é do cônsul-geral de Angola em Joanesburgo, Joaquim Duarte Pombo. Em entrevista ontem ao Jornal de Angola, o diplomata considera o acordo positivo, na medida em que, além de aprofundar as relações entre povos, confere vantagens económicas para ambos os países.

O diplomata considera que se a África do Sul deu um grande pulo no desenvolvimento económico nos domínios da indústria, agricultura e agropecuária, Angola é um país com imensas potencialidades e pode aproveitar a experiência daquele país.

A nova fase entre os dois países é um marco, pois a questão dos vistos era um grande empecilho ao desenvolvimento eficaz e célere das relações empresariais de um lado e de outro. Ainda assim, o diplomata lembra que antes da crise económica que afectou Angola, chegava-se a conceder 10 mil vistos por ano, na sua maioria destinados a empresários. “Com a situação económica e financeira actual, o número decresceu, oscilando actualmente entre seis a sete mil”, disse. Joaquim Pombo espera que o acordo de supressão de vistos desperte ainda mais o interesse dos empresários nas áreas da agricultura, turismo e indústria, e que os números de vistos por ano ultrapasse os anteriores 10 mil dos anos anteriores.

“Viajamos pelo interior da África do Sul, porque temos comunidades angolanas a 200 ou 700 quilómetros espalhadas por este país, e verificamos que em termos de pecuária e agricultura, eles estão muito bem posicionados. Por isso, devia-se aproveitar trocar mais experiências para guindar os diversos sectores da nossa economia”.

Na sua opinião, é possível fortalecer a cooperação em áreas com grande impacto na economia, como é a agricultura e indústria, fundamentalmente neste processo de diversificação da economia. “É fundamental que se aprenda um pouco mais com os sul-africanos na área do turismo, sector que aprenderam a dominar muito bem nos últimos anos”, disse.

Nos últimos anos, a África do Sul tem conseguido atrair para dentro das suas fronteiras mais de nove milhões de turistas ao ano. “A supressão de vistos em passaportes ordinários vai ajudar bastante para aquilo que são os objectivos dos dois países: conhecimento e estreitamento das relações de povo para povo, de empresários e profissionais e técnicos das mais diversas áreas do saber”, disse.

Para Joaquim Pombo, é preciso abrir um pouco mais o país para atrair investimentos, não obstante a situação difícil por que passa, prevendo o aumento da cooperação e do investimento nos vários domínios, com realce para o empresarial. “A burocracia não se compadece com a necessidade de investimento. Os grandes investidores têm horror ao excesso de burocracia”, disse. O diplomata lembra que Angola oferece muitas potencialidades, mas alerta que a África do Sul é um país que já consolidou há muitos anos os passos que pretendemos atingir no futuro. “Eles têm universidades excelentes, serviços de saúde e educação com nível alto. Podemos aproveitar tudo isso”, disse.

Visto para refugiados

A partir de Fevereiro de 2018, as autoridades sul-africanas vão conceder vistos de permanência de quatro anos a ex-refugiados angolanos, anunciou o cônsul. A medida entra em vigor em Fevereiro do próximo ano.

Segundo o cônsul, as autoridades sul-africanas esperavam que os ex-refugiados regressassem a Angola mesmo depois de terem recebido vistos de permanência de dois anos, quando já estava em vigor a medida que punha termo ao estatuto.

Fixação de residência fora do acordo de supressão de vistos

O diplomata informa que a supressão dos vistos em passaportes ordinários não é para fixação de residência nem num país nem noutro. Conforme o acordo, explica, são para turismo, comércio, para tratar de questões de saúde. “É bom que se esclareça à população que não servem para fixação de residência”, disse. O cônsul-geral explicou que os vistos de trabalho e de estudante devem ser pedidos na origem, numa altura em que os dois países assumem um grande papel no contexto africano e espera que haja harmonia entre os povos. “A região espera muito por nós”, disse.

Segundo o diplomata, os riscos inerentes à abertura de fronteiras para sul-africanos, e vice-versa, são riscos controlados, aliás os acordos, quaisquer que sejam, têm sempre vantagens e desvantagens. “Penso que vamos tomar medidas para que o controlo seja rigoroso para que se evitem constrangimentos. E nisso, o nosso Ministério do Interior deve estar a trabalhar sobre esta questão”, sublinhou.

Actualmente, o consulado de Joanesburgo que cobre quatro áreas, desde Gauteng, Mpumalanga, North West e Limpopo, conta com mais de nove mil angolanos, embora considere “uma população muito flutuante”.

Como exemplo, o cônsul indicou os ex-membros do Batalhão 32, que vivem no interior da África do Sul, enquanto em Joanesburgo a população de angolanos é ambulante, pois ora estão naquele país, ora em Luanda, e é geralmente constituída por estudantes.

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